Bom som não precisa ser alto
21/05/2008
Bom som não precisa ser alto Rio - Ouvir música no volume máximo é um hábito comum para a estudante de comunicação Verônica Garcia, 23 anos. Ser dar ouvidos aos apelos dos pais, ela gosta de ouvir tudo alto, seja MP3 player, som do quarto ou televisão. Apesar de jovem, ela tem sintomas de perda de audição, como falar mais alto do que o interlocutor e pedir para ele repetir uma frase. Mesmo assim, não tem planos de ir ao médico ou fazer um exame de audiometria. Na Universidade Veiga de Almeida, onde Verônica estuda, é fácil encontrar dezenas de jovens com fones de ouvido plugados em MP3 players e celulares. Muitos têm o mesmo hábito que Verônica. E como ela, se arriscam a sofrer perda de audição. Conforme envelhecem, as pessoas perdem audição. O excesso de música alta pode acelerar esse processo ao aumentar a pressão sobre o tímpano e prejudicar a transmissão das vibrações sonoras ao ouvido interno. “Temos clientes de 30 anos com perda acentuada de audição provocada por excesso de música alta”, conta o otorrinolaringologista Cláudio Coelho. Ele alerta que som acima de 85 decibéis (dB) por mais de 30 minutos por dia já é suficiente para causar lesões irreversíveis. O máximo considerado saudável pelos especialistas é 55 dB. Para se ter uma idéia, o volume de um iPod pode chegar a 130 dB. Para a fonoaudióloga Isabela Gomes, do Centro Auditivo Telex, as pessoas devem controlar o tempo de exposição aos fones e evitar usá-los no volume máximo. Regras seguidas por Amanda Gomes, 20 anos, estudante de Fonoaudiologia e colega de Verônica. “Antes da faculdade, eu ouvia tudo no máximo. Depois percebi que não vale a pena curtir um som alto agora e ter problemas mais tarde”, conta. Modelos internos podem ser mais prejudiciais Os fones de ouvido podem prejudicar a audição quando utilizado de forma indevida. Os modelos utilizados por músicos, conhecido popularmente como “retorno”, são os maiores vilões, pois ficam dentro do canal auditivo. Outra preocupação poderia ser o uso contínuo de fones de ouvido de celulares. Mas, estudos elaborados pelo otorrinolaringologista Cláudio Coelho, indicam que o acessório em celulares não danifica a audição, por causa da baixa potência do aparelho. Segundo Isabela Garcia, os headsets (com arco e espuma para a orelha) causam menos danos, pois o som não se propaga diretamente no canal auditivo. Um fone certo para cada perfil de usuário Rio - Quem usa fones de ouvido por horas a fio deve ter cuidado na hora de comprar o MP3 player (ou celular). Em geral, os fones originais são adequados para o aparelho. Contudo, há opções para os mais aficionados, que buscam o máximo possível de qualidade do equipamento. Segundo Wilson Borges, técnico da Equipo, distribuidora de equipamentos profissionais de áudio, há fones para todos os gostos. Características como a capacidade de reprodução do som (chamada resposta de freqüência), isolamento acústico e uso a que o fone se destina devem ser considerados na hora da compra. Segundo Borges, o ser humano é capaz de ouvir até 20 kiloHertz (kHz). Contudo, a maioria dos fabricantes vendem fones com cerca de 27 kHz de freqüência máxima. Quanto maior a resposta de freqüência, maior a clareza com que se distinguem graves e agudos. “Apesar de não ouvir a capacidade completa, percebe-se uma sonoridade diferente, com mais qualidade”, explica. Os modelos mais comuns de fones de ouvido são os earbuds, vendidos com em iPods, MP3 players e celulares. As vibrações são leves, não aumentam os sons graves ou agudos. A resposta de freqüência fica entre 15Hz (Hertz) e 27 kHz. Os headsets, modelos utilizados por DJs, têm resposta de freqüência entre 12 Hz e 22 kHz. Muito usado por músicos e ouvintes que buscam o máximo de privacidade, o chamado fone in-ear potencializa os sons graves e tem a melhor qualidade sonora, por direcionar o som diretamente para o canal auditivo. Alguns fabricantes, como Sennheiser, vendem in-ears com três borrachas, que adequam o fone ao diâmetro do canal auditivo da pessoa. A resposta de freqüência está entre 18 Hz e 21 kHz. Se o modelo mais “simples” tem resposta de freqüência maior do que os fones profissionais, por que não são os melhores? De acordo com Borges, a qualidade da reprodução está no timbre dos fones. É o que permite distinguir diferentes tipos de sons produzidos em mesma freqüência. Como, por exemplo, ouvir um show de música e diferenciar os sons de uma guitarra e bateria. Eles têm a mesma freqüência, mas características sonoras diferentes. Seja qual for o fone, o importante é maneirar no volume para continuar a curtir a música por um bom tempo. Audiometria para prevenção Escutar música é um ótimo hábito, explorar o som adequadamente é o caminho certo para uma atividade agradável e sem riscos. Aos primeiros sinais de surdez, como não compreender o que as pessoas falam ao redor, não perceber que conversa em tom alto ou baixo, irritação no canal auditivo, tonteira, além de zumbidos freqüentes, procure um otorrinolaringologista. O médico vai detectar o problema e encaminhar o paciente para um fonoaudiólogo. Este fará exames, como a audiometria, para avaliar se existe a perda de audição, o grau e o tipo. A surdez não acontece de um dia para o outro, é um processo lento. Por isso, a audiometria detecta os primeiros sinais, evitando que o sujeito descubra que está com perda acentuada de audição quando já estiver com 45 ou 55 anos.
Saiba como curtir ao máximo os fones de ouvido sem causar danos à audição
Conheça as características de cada equipamento e escolha o que mais tem a ver com você
Os médicos alertam que a perda da audição é diferente em cada indivíduo, depende do tempo de exposição, volume e pré-disposição da pessoa. Não importa a idade, sempre há possibilidades.


