Tratamento inovador para câncer de mama
21/05/2008
Tratamento inovador para câncer de mama Rio - O Núcleo de Pesquisa em Câncer (NPC) do Hospital Clementino Fraga Filho (Fundão) desenvolve pesquisa inovadora no tratamento do câncer de mama. Em parceria com 30 países, o NPC estuda remédios capazes de inibir o gene HER2, que torna o tumor mais agressivo. Coordenador do projeto, o oncologista Eduardo Côrtes, afirma que o tratamento tem mostrado resultados positivos, tanto nos estágios iniciais da doença quanto nos mais avançados. Segundo Côrtes, o gene HER2 está presente em até 30% dos tumores de mama e estimula a célula cancerígena a crescer e a invadir outras partes do corpo, o que caracteriza a metástase. Ao contrário da quimioterapia, que age nas células como um todo, a ‘terapia do alvo molecular’ — possibilitada pelos novos remédios — atua em um foco específico. “Não quero levantar falsas esperanças, mas também é importante que se diga que o tratamento do câncer de mama está progredindo. Com a terapia de alvo molecular, aumentamos a eficácia do tratamento e minimizamos efeitos colaterais, como a queda do cabelo e a redução dos glóbulos brancos. A expectativa é que, no futuro, a terapia de alvo molecular venha a conquistar mais espaço na oncologia e, quem sabe, excluir definitivamente a quimioterapia”, afirma Côrtes. Só no Brasil, cerca de 40 mulheres — nos mais diferentes estágios da doença — já fazem uso do Lapatinibe e do Trastuzumabe, os dois remédios que inibem o gene HER2. Segundo Côrtes, a pesquisa beneficia não somente pacientes do Hospital do Fundão, mas também de outras unidades do Estado. Em todo o mundo, 3 mil mulheres participam do estudo, coordenado pela Universidade de Harvard, nos EUA. Os resultados deverão ser divulgados em um ano. Côrtes ressalta que os inibidores de HER2 devem ser tomados pelas mulheres logo após as cirurgias para evitar o risco de metástase. Segundo ele, o uso dos medicamentos pode reduzir em até 40% o índice de aparecimento de metástases mesmo após a retirada do tumor. “No futuro, a terapia de alvo molecular poderá ser utilizada em outros tipos de tumor, como câncer de pulmão ou intestino. Para tanto, basta identificar características moleculares daquele tumor específico e intervir pontualmente sobre ele”, garante Côrtes. ASSINATURA DE ACORDO É ADIADA PARA O DIA 27 A pesquisa do Hospital do Fundão que investiga a eficácia de remédios no combate ao câncer de mama não foi afetada pela crise financeira que castiga a instituição. “Felizmente, não fomos obrigados a suspender a pesquisa por causa da falta de verba. Continuamos a fornecer a medicação normalmente para as pacientes”, avalia Côrtes. A reunião que oficializaria o aumento de 15% no teto dos procedimentos de alta complexidade, como os transplantes, foi transferida para terça-feira, dia 27. Considerado referência nacional em tratamentos complexos, o hospital está atravessando uma crise provocada pelo não-reajuste do orçamento há quatro anos. A dívida está estimada em R$ 10 milhões. Desde o último dia 9, os transplantes de órgãos foram suspensos, leitos estão sendo fechados após a alta dos pacientes e cirurgias eletivas só são realizadas após o médico checar se há insumos. Caso contrário, o paciente não é internado. Segundo o diretor da unidade, Alexandre Cardoso, são necessários cerca de R$ 20 milhões para recuperar o hospital através de obras de infra-estrutura.
Hospital do Fundão participa de estudo que desenvolve drogas capazes de inibir tumores agressivos e reduzir efeitos adversos


